Nanopartículas podem tornar a ressonância magnética mais segura

A ressonância magnética (RM) é uma técnica não invasiva de diagnóstico por imagem utilizada para detectar tumores, doenças cardiovasculares e alterações neurológicas. Para melhorar a visualização dos tecidos, muitas vezes é necessária a utilização de agentes de contraste, como compostos à base de gadolínio. No entanto, estudos têm indicado que esse metal pode se acumular em órgãos, como o cérebro e os rins, especialmente em pacientes com comprometimento da função renal. Diante desse cenário, pesquisadores da Universidade do País Basco, na Espanha, desenvolveram nanopartículas de carbono contendo manganês (MnCNDs), que apresentam fluorescência natural, podendo ser utilizadas tanto como uma alternativa ao agente de contraste à base de gadolínio, quanto para visualização dos tecidos por técnicas ópticas. 

As nanopartículas foram sintetizadas por um método rápido assistido por microondas e passaram por uma etapa adicional de purificação utilizando cromatografia por exclusão de tamanho acoplada à cromatografia líquida de alta eficiência (SEC-HPLC). Nesta etapa, foram removidas impurezas e espécies de manganês não incorporadas às nanopartículas, resultando em um material mais homogêneo e estável para aplicações biológicas, com cerca de 5% de manganês em sua composição.  

Os experimentos mostraram que as MnCNDs apresentaram propriedades magnéticas comparáveis às de agentes de contraste utilizados clinicamente, mantendo sua estabilidade por pelo menos uma semana em condições fisiológicas. Além disso, os ensaios in vitro mostraram uma baixa toxicidade e uma eficiente internalização das nanopartículas pelas células. Por outro lado, os ensaios in vivo, realizados em camundongos, confirmaram que as nanopartículas proporcionam realce nas imagens de ressonância magnética, após administração intravenosa, sendo posteriormente eliminadas pelos rins e fígado, sem causar danos aos tecidos (Figura 1).


Figura 1: Representação esquemática da síntese das nanopartículas de carbono dopadas com manganês (MnCNDs), seguida das etapas de purificação, caracterização e aplicação como agentes de contraste para ressonância magnética e imagem por fluorescência. Figura adaptada de Cesco et al. (2026).


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