Nanotecnologia no chá! Rastreando e tratando a doença de Alzheimer.
A doença de Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo. Dentre os diversos fatores que contribuem para a disfunção sináptica e o declínio cognitivo está a neuroinflamação e a excitotoxicidade (processo em que as células nervosas são danificadas devido à superestimulação) induzida pelo glutamato, um aminoácido.
Muitas alternativas de tratamento têm sido buscadas, mas, frequentemente, medicamentos baseados em pequenas moléculas sintetizadas quimicamente (por exemplo, a memantina, com estrutura mostrada na figura 1) podem causar neurotoxicidade dependendo da dose utilizada. Além disso, eles podem ter um direcionamento limitado e serem rapidamente eliminados pelo organismo, reduzindo significativamente sua eficácia.

Mais uma vez, a nanotecnologia entra em cena. Foi estudado um nanofármaco de origem natural derivado das folhas de chá Pu-erh (Figura 2), formulado com memantina e vesículas biomiméticas para entrega intranasal nebulizada.

Este derivado do chá apresenta fluorescência intrínseca, o que permite um rastreamento em tempo real nas células e tecidos. Sob as condições de nebulização e carga em doses seguras de memantina, o nanofármaco com base em produto natural mostrou uma segurança e eficácia maiores em relação à memantina livre. Foi observada uma melhora nos resultados comportamentais e uma redução de danos ao hipocampo.
O estudo realizado pelos pesquisadores aponta o potencial desta plataforma de nanofármacos “naturais” para tratar outras doenças relacionadas à excitotoxicidade, como doença de Parkinson, esclerose múltipla e lesões cerebrais traumáticas.
Futuramente, o grupo responsável pelo estudo pretende realizar análises em sistemas de células primárias mais fisiologicamente relevantes em relação às avaliações in vitro. Além disso, o estudo tem como objetivo estabelecer formulações padronizadas e sistemas de entrega escalonáveis.
Para saber mais, consulte o artigo do estudo realizado:
