Nanopartículas de resíduo de toranja na remediação de águas contaminadas!

Diversos setores como a indústria do papel, têxtil, do couro e cosméticos utilizam as tintas, pigmentos e corantes amplamente e, por diversas vezes, sem a devida preocupação com a sustentabilidade de sua obtenção e descarte. A presença dos corantes no meio-ambiente pode gerar diversos transtornos: além de serem tóxicas a diversos organismos, elas reduzem a entrada de luminosidade em corpos d’água, diminuindo os alimentos de herbívoros e aumentando a quantidade de organismos anaeróbicos, o que ocasiona a diminuição da potabilidade e causa mau odor na água. Dessa forma, eles são considerados poluentes de grande preocupação para o meio-ambiente.

As principais estratégias utilizadas para resolver esse problema envolvem a remoção ou degradação desses poluentes, os quais são processos pouco eficientes devido à alta estabilidade dessas substâncias. Contudo, os resíduos de frutas têm sido aliados interessantes na absorção desses componentes, já que seus extratos conseguem adsorver essas moléculas e auxiliar na sua degradação.

Dessa forma, pesquisadores egípcios desenvolveram um novo composto, batizado de GFP@Ag (Fig. 1), constituído de nanopartículas de prata carregadas com o extrato de toranja (grapefruit). Ele atua por duplo mecanismo de ação: adsorção e fotocatálise, permitindo remover rapidamente três corantes catiônicos tóxicos (azul de toluidina O, violeta cristal e verde brilhante).

Figura 1: Imagens em diferentes ampliações (A: 50x, B: 10x, C: 5x) da GFP@Ag
Fonte: Akl et al., 2025

Os dados do tratamento com GFP@Ag de amostras de águas contaminadas com os corantes foram extremamente promissores. Na presença de luz solar, a nanopartícula teve suas capacidades adsortivas de 390,6 mg/g para violeta cristal, 306 mg/g para verde brilhante e 194,8g para azul de toluidina O após 180 min. Já no escuro, a remoção caiu drasticamente, mostrando que a fotocatálise desempenha um importante papel na remoção, não apenas levando em consideração o processo de adsorção. Embora a capacidade de remoção para azul de toluidina seja o menor, ainda assim a nanopartícula foi capaz de o remover em 99,8% na concentração de 50g/L.

Transformar resíduos de casca de frutas em nanomateriais capazes de purificar água poluída é mais do que uma inovação científica, é um exemplo evidente de como a nanotecnologia verde pode atuar a favor da sustentabilidade. A criação do biocompósito GFP@Ag, à base de prata nanoparticulada e cascas de toranja, mostrou-se altamente eficaz na remoção de corantes tóxicos da água, unindo fotocatálise e biossorção em um único processo. Essa tecnologia ecológica representa um passo concreto rumo a soluções viáveis para o tratamento de efluentes industriais, especialmente em regiões com poucos recursos. Este estudo reforça o papel da nanotecnologia como aliada da preservação ambiental e da saúde pública, mostrando que o futuro da remediação pode estar, literalmente, no lixo que descartamos.

Referências

AKL, Magda A.; ELAWADY, Doha M. M.; MOSTAFA, Aya G.; EL-GHARKAWY, Elsayed R. H.. Biogenic nano-silver doped grapefruit peels biocomposite for biosorptive photocatalytic degradation of organic pollutants. Scientific Reports, [S.L.], v. 15, n. 1, p. 0-0, 19 maio 2025. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1038/s41598-025-01318-2.

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